13.11.09

Já cá está a machine

e estou com aquela sensação de quando chegamos a casa vindas da maternidade e nos vemos sozinhas com um primeiro filho nos braços, sem saber bem o que lhes fazer e sem ajuda das enfermeiras experientes. Medo.

A única diferença que me ocorre entre as duas coisas é que uma tem livro de instruções e a outra não tem, pronto.

Está-me cá a parecer

que tudo à minha volta anda em dieta. Fora de época, que a febre das dietas costuma começar lá para a primavera. Se calhar devia aderir à moda porque o pneu na minha barriga está a perder a compostura. E mais agora, que vou ter a machine e já toda a gente me disse que a machine faz engordar. Os doces fazem-se num instante e por isso um leitinho-creme assim à noite, feito em 5 minutinhos, é sempre uma alegria para a alma.

Adoro comer. E como muito. Sempre tive muita sorte de ter um metabolismo amiguinho, porque para a quantidade de coisas que como, já podia ser uma bola. Mas sou magra, tirando o parvo do pneu. Gosto tanto de comer que, quando era mais pequena, chegava a comer dez carcaças com manteiga ao pequeno-almoço. Chegava da escola e comia bifes fritos ao lanche. Agora já não faço estas alarvidades, não porque não me apeteça, mas porque tenho juízo. Como é taças de chantili à noite enquanto vejo televisão (só faltava o spray de chantili directo para a boca, como nos filmes), como petit gateaus fora das refeições, cozinho massa de bolo crua em pequenas quantidades para me lambuzar enquanto vejo um filme, faço sopinhas de pão nos refogados enquanto cozinho e por aí fora. É escandaloso, eu sei, mas até há coisa de um ano e tal, o corpo não se ressentia.

Agora a coisa muda de figura. A Bimby engorda. E eu não quero engordar. Mas também não quero deixar de comer. Então entrou em cena o meu amigo trambolho. Ando activa como nunca. Todos os dias ando e corro na passadeira. Corro ainda muito pouco, porque a minha forma é tão má, que mal começo a correr, me fica a doer o coração e fico com os bofes de fora como se estivesse a correr há duas horas. Muito mauzinho mesmo. Mas nada se alcança sem tempo e persistência e por isso, vou continuar a fazê-lo e vou aumentando progressivamente o esforço. Vai-me ajudar também nas minhas aulas de ténis a ter mais pulmão e pernas. E é óptima a sensação de começar o dia a fazer desporto. Fico com energia para dar e vender.

Qualquer dia estou aí a correr a maratona. Não sem antes fazer umas farófias deliciosas na minha nova melhor amiga.

Momento alto do meu dia de ontem:

a Joana a tentar dizer a palavra substituição.

Estava a explicar-me que o lápis na escola já estava minúsculo, mas que tinha um segundo lápis de tustitição. Qué? Sustitição. Qué? Tistustição. What? Subscicição.

A próxima é "flexibilidade". Vai ser giro. (ahahah)

11.11.09

Às vezes pergunto-me

se haverá alguém no mundo inteiro a ouvir exactamente a mesma música que eu, exactamente no mesmo segundo de duração, na mesma palavra, na mesma batida. Fotocópia.

Será possível? Ou melhor, será possível não haver?


(adenda porque se calhar não me expliquei bem: rádio não conta. Nem discotecas, nem concertos etc. Estou a falar de uma pessoa pôr uma música por exemplo em casa numa aparelhagem e noutra casa noutro lado do mundo alguém estar a fazer precisamente o mesmo.)

9.11.09

Já há algum tempo

que não falo na Joana e como estão a correr as coisas na escola. Depois daquele susto nos primeiros trabalhos de casa, a coisa começou a encarrilar e agora é um instantinho. Vê-se que tem gosto em fazê-los e às vezes ainda estou a pousar as coisas que trago da rua e quando dou por ela já está à secretária toda concentrada a fazê-los. Quando tem trabalhos aos fins-de-semana, fá-los logo na 6ª feira, sem ser preciso dizer nada. Diz que prefere assim, porque tem medo de se esquecer do que tem para fazer.

Já aprendeu as vogais todas e uma data de consoantes, já escreve frases, já lê uma data delas e já faz ditados. É impressionante a velocidade com que se aprende a ler. Já andámos pelos ditongos e agora andam a fazer divisões silábicas. E depois brinda-me com livrinhos feitos por ela com histórias sobre tomates que passam da Cátia para a Mimi e para a Lili e no fim a Lili até pula e tudo.

No caderninho dos trabalhos de casa, a letrinha é mais bem feitinha que esta, mas os desenhos são de bradar aos céus.
Diz que a professora ralha muito, que grita bastante e que muitas vezes ela e o colega de secretária até põem os dedos nos ouvidos. Coisa bonita sim senhora, a Professora ver-te nessa figura, tu vê lá. Mas não sendo um ralhete dirigido a si, passa-lhe ao lado. No outro dia veio cá para fora. Diz que se riu de qualquer coisa e que a professora a pôs na rua. Teve muita vergonha porque enquanto esteve lá fora, passaram várias pessoas inclusivé a sua educadora. Mas contou-me, o que já é bom. Começa sempre assim: Oh mãe não ralhes, está bem?

Na sala têm um quadrinho com pionéses que dizem respeito a vários critérios que são avaliados diariamente. Comportamento, apresentação dos trabalhos, trabalhos de casa etc etc. O melhor é o verde escuro e depois vai por aí fora pelo verde claro, amarelo, laranja, rosa, vermelho e por fim o preto que é o cabo dos trabalhos. As cores dela têm-se mantido pelo verde escuro e muito raramento um ou outro verde claro. Está na última fila e continua com bichinho carpinteiro, mas estando ao lado de um menino bem comportado, a coisa até tem corrido muito bem.


Está uma crescida, muito responsável. Lembra-se sempre de tudo e do que tem que levar, dos recados que tem que dar e das coisas que eu me vou esquecendo de mandar. É a minha memória externa, que eu agora só com post-its por todo o lado. Gosta de ser a responsável da turma, que tem, entre outras, a agradável função de pôr ordem na casa-de-banho das meninas nas horas dos xixis. Aborrece-se com algumas regras da sala, entre elas a de ter os bracinhos sempre em cima da mesa, cruzados. Nada de lápis a baloiçar entre os dedos e posições com cabeças pousadas nas mãos acompanhadas de ar de enfado. Tudo muito direitinho, parece que estão na tropa. Só lhes faz é bem.

Mas anda feliz. Gosta muito de aprender e vibra imenso cada vez que sabe que no dia seguinte vai aprender uma letra nova. Gosta do recreio dos grandes e para a encontrar lá ao fundo basta procurar a menina mais despenteada da escola. É incrível o estado em que ela fica ao fim do dia. Ninguém lhe dá um jeitinho e a ela não lhe faz mossa ter o cabelo à frente dos olhos. O que me enerva vê-la assim, com o cortinado na cara. Como passa o dia inteiro na sala em sentido, chega ao recreio e são rodas, pinos e futebol com os rapazes. Fica naquele estado descabelado com os atacadores dos sapatos todos desamarrados e a farda toda suja. Os atacadores já resolvi com super-cola3. No meio de um dia intenso de escola e brincadeira, lembra-se lá ela de os amarrar... Ou quando se lembra, põem-nos para dentro dos sapatos, por baixo dos pés. Não estive com coisas, dei 2 nós bem apertados, pus uns pingos de super cola e voilá, sempre um brinquinho.

Adora as aulas de informática e de expressão plástica. Agora quer aprender piano. Só falta falar francês. : )

2.11.09

1.11.09

Halloween.

Jantarinho com as amigas, como já é nossa tradição. E as abóboras passaram no controlo de qualidade.

30.10.09

Halloween.

Este ano decidi trazer abóboras da nossa horta do Alentejo em vez de ir ao mercado comprar uma bem feitinha mas que custa os olhos da cara. Estas não são cor-de-laranja, não têm o formato da praxe, são pequenas e tortas, já estão a apodrecer por fora, já têm mosquitinhos a rondá-las e mais uma semana e iam para o lixo. Mas são abóboras e por isso servem.

Logo à tarde já as vamos esquartejar.

Há 3 anos. Agora não acha muita graça, aliás já me pediu para guardar a mão de plástico nos caixotes da arrecadação. E tudo o resto principalmente os esqueletos de borracha que brilham no escuro e que a sua querida irmã lhe enfia no meio dos lençóis.

27.10.09

3 anos.

E meio. Já sabe mexer com o rato e imprimir as suas "extreme-makeovers". Pede-me para jogar à Barbie e ao MyScene. Abro dois tabs com os dois sites e ela vai andando entre um e outro. Faz as suas transformações de beleza e de decoração, lava e corta cabelos, a direito ou escadeados, estica ou faz permanentes, pinta unhas e trufas, escolhe toilettes consoante a ocasião, escolhe os acessórios e manda imprimir. E eu adoro vê-la a imprimir. Decorou que onde tem de clicar para isso acontecer é naquele botãozinho azul e depois clica nos outros azuis por aí fora e siga para bingo.

Os tinteiros cá de casa nunca duraram tão pouco.

21.10.09

A Rita tem 7 vidas.

Só pode. Cai de costas de uma altura de 1,80 num parque infantil e safa-se com um torcicolo. No Verão caiu de rabo lá de cima de um beliche e nada. Nem galos, nem hematomas.

Ontem leva com uma torre de dvd's de 2 metros de altura em cima e respectivos dvd's e safa-se com um arranhãozinho minúsculo no dedo.

Enquanto estava a arrumar a louça do jantar, ela estava na sala a escolher um dvd da estante. Nunca fez tal coisa mas ontem decidiu pôr os dois pés no primeiro degrauzinho da torre, a uns 5 cm do chão. O estrondo foi assustador e o grito dela foi impressionante. Enquanto corria para lá imaginei tudo em segundos, perninhas partidas, bracinhos virados para trás, cabeça aberta, tudo. Mas lá estava ela rodeada de dvd's e a torre a seu lado. Perguntava a Joana como é que ela não estava espalmada por baixo da torre e eu pergunto o mesmo.

Uma sorte dos diabos. Na cabeça aparentemente nada, mas uma pessoa imagina logo hemorragias internas e porcarias do género. Levou com uma torre de 2 metros de madeira, vá lá não é maciça porque é do Ikea, mas ainda assim, um peso descomunal. Depois de se acalmar e eu perceber que nada tinha para além do arranhão no dedo, pediu-me um crepe.

E tudo está bem quando pedem crepes com muita canela.

20.10.09

Desta chuva

só gosto do facto de ficar com o carro finalmente lavadinho.

Blog dos Convites

devidamente actualizado. : )

16.10.09

Bolsas para lenços de papel.

Lindas. Adoro os botões e o tecido às pintinhas no interior.
Feitas pela
Paula.

15.10.09

Sou cliente Pingo Doce.

Vou lá todas as terças-feiras. E não gosto nada do novo anúncio. Que é de fugir mesmo sem som. Mas não será por isso que deixarei de lá ir.

A não ser que tenham o jingle a tocar enquanto faço compras. Se ouço aquela voz agonizante de Janeiro a Janeiro a pairar o meu avio, então dou à sola.

É que não se aguenta. Parece a matança do porco.

14.10.09

Libelinhas ainda vá lá...

agora bichinhos esquisitos tipo aranhões microscópicos que saltam tipo pulguinhas é que já areia a mais para o meu camião.

Anteontem com o calor que esteve, tive as janelas da cozinha abertas o dia todo, incluíndo fim de tarde já com as luzes acesas e hora de jantar. Enquanto arrumava a louça começei a reparar nuns bichos, estes que descrevi, por todo o lado. Fáceis de aniquilar, mas mais que as mães. Enervada e já cheia de comichões andei feita louca à procura de uma batata podre ou de uma maçã que tenha rolado para um canto em estado de decomposição. Nada. Continuei a exterminá-los enojada. Não paravam de aparecer à minha frente, parecia gozação organizada.

O Nuno que chegou mais tarde e que me apanhou à beira de um ataque de nervos, desfigurada pela mórbida tarefa, também andou de rabo para o ar à procura da fonte. Quando de repente me diz Inês... com aquela voz de quem está à beira de me dar uma má notícia mas que não pode falar muito alto para não acordar o monstro. Olha... e aponta para o tecto.

Eram tantos. Colados no tecto da minha linda cozinha. Tantos.

Armei-me de aspirador em punho, tipo ghostbuster e eles nem reagiram. De repente estavam ali e depois já não estavam. Nem sabem o que lhes aconteceu à vida.


Depois lá vi que também havia vários colados aos vidros do lado de fora da janela. Percebi que como tenho um jardim e lagos mesmo à beira da minha janela, seria dali que eles vinham. Por causa do calor fora de horas, digo eu. Porque nunca tinha visto tal coisa.

Bichos tão estranhos. É a contrapartida deste calor outonal. Não podemos querer tudo.

12.10.09

Que início de Outono fabuloso.

Nem tenho fotos porque passei a tarde de Domingo dentro de água. Nós e elas. Foi mesmo um dos melhores dias de praia do ano. O mar estava delicioso. E aquele ventinho quente. E tivémos a companhia de uma quantidade anormal de libelinhas que andam por aí devido às altas temperaturas para a época. Eram às dezenas a fazer voos rasantes na praia.

Ontem: A Joana a jogar um joguito no telemóvel do pai, daqueles tipo Arkanoid. Nas férias passava o 1º nível sempre com as 3 vidas. Ontem perdia vidas atrás de vidas. Enervada como tudo, com um mau perder de bradar aos céus.

Eu: Tem lá calma. Tens que treinar, deixaste de jogar, perdeste o hábito.


Ela: (muito ofendida) Oh mãe, tu é que me roubaste o hábito!

Eu: (risos) Ouve lá, ó tótiça, tu por acaso sabes o que é o hábito?

Ela: Não. : )

8.10.09

Spectrum.

Se havia coisa que eu adorava fazer em criança, além de andar de bicicleta no largo onde morava, era jogar Spectrum. Tive um 48k que se tinha que ligar a um gravador de cassetes e ouvir aqueles ruídos iiiiiii-zzzzzzzz-rrrrrrr-eeeeeeee-iiiiiiii até ler o jogo. E depois "load aspas aspas". As cassetes com capas de fotocópia a preto e branco. Eram dias fantásticos na companhia de jogos tão simples, mas viciantes.

Mas agora posso matar saudades neste site onde estão todos os jogos possíveis e imaginários dos anos 80 e 90. Estão lá os meus preferidos: Chuckie Egg (principalmente o 2), Manic Miner, Bomb Jack, Pogo, Jet Set Willy, PacMan, Arkanoid, Turmoil, MadMix, Spy Hunter etc.

É a loucura. Hoje em dia só há jogos com não sei quantas dimensões e eu fico enjoada de morte. Nada como estes joguinhos com quase 30 anos para me ocuparem o tempo já tão ocupado. Corro é sérios riscos de não fazer mais nada na vida. De me esquecer de alimentar as minhas filhas ou mesmo de lhes lavar os cabelos. Ou ainda de me esquecer de ir dormir.

(dica via meu cunhado João que descobre sempre coisas fantásticas)

1.10.09

Pôr a Joana a vestir-se sozinha

e depois não fazer controlo de qualidade, é o que dá. Foi para a escola de pijama.

Quando lá chegou e foi à casa-de-banho é que reparou que por baixo da saia comprida do vestido ainda estavam os calções. Ficou tão receosa que os amigos a vissem naquela figura, que acabou lavada em lágrimas com a atrapalhação.


Mãe xéxé - Filha xéxé.

30.9.09

Buggy.

Um gozo.

29.9.09

Figos.


Deliciosos. Apanhados com a coroa na cabeça. Voltámos aos dias coroados. Chega a casa e põe-na na cabeça como se durante o dia lhe tivesse faltado uma parte de si. E só a tira para dormir.

Na escola ainda fica a chorar, mas sei que durante o dia anda espevitada e alegre. Mas todo o santo dia enquanto a visto de manhã me pergunta onde vamos, mãe? Mesmo estando de bata, deve ter uma ligeira esperança que seja sábado.

A Joana acalmou com os trabalhos de casa, que têm sido bem espaçados e mais rápidos de fazer. Não tem havido contornos nem pinturas, apenas letras e alguns desenhos. Desde que as aulas começaram que não houve um dia em que não fosse contente para a escola. Acho que se adaptou lindamente às novas exigências, apesar de se queixar aqui e ali e do comportamento começar a dar sinal de que vai descambar.

Mas em casa andam umas queridas. Os dias têm corrido tão bem que ou sou eu que ando com mais paciência ou as minhas filhas estão umas crescidas.

25.9.09

Estamos nós quase no Natal

e eu ponho-me aqui a falar de férias de Verão. O que vale é que já me passou a neura pós-férias. Este ano custou-me mais do que é costume voltar a Lisboa. Acho que me apetecia estar em todo o lado menos cá.

As férias, ai as férias. Acho que desde que a Joana nasceu que eu não tinha umas férias em que tivesse conseguido descansar tanto. Tirando horas de sono, que não foram por aí além, porque a Rita com menos 4 horas de fuso horário acordava sempre por volta das 6h, 6h30 da manhã, a desgraçada. Mas de relax fiquei eu cheia. De relax e de tapiocas, que me deram direito a uma barriga de tal forma redonda que achavam que eu podia estar à espera de bebé.

As meninas andaram felizes, a Rita finalmente perdeu o medo do mar, logo no primeiro dia em que se banhou no Brasil. A tal ponto que se divertia a ser enrolada pelas ondas na zona de rebentação. Acho que ajudou bastante a temperatura da água. Três anos depois ganhou finalmente confiança nas braçadeiras (aleluia!) e saiu dos degraus das piscinas. Foram horas seguidas dentro de água e tantos mergulhos logo no primeiro dia que eu cheguei a temer uma otite logo à chegada.

As duas deram-se melhor que nunca, muita rezinguice à mistura claro, mas acho que nunca as vi a brincarem tanto juntas.
De tal forma que consegui ler três livros, o que já não me acontecia há séculos.

Da gripe, nada, tirando o susto que apanhamos quando chegamos ao aeroporto e nos deparamos com toda a gente de máscara. Mas safámo-nos e foram umas férias sem ponta de remédios. As viagens de avião é que continuam cansativas. Para lá moeram-nos o juízo, principalmente a Joana que estava saturada até ao tutano. Depois de estoirar com a bateria do portátil e já não ter mais filmes para ver, foi "quando é que chegamos" de 2 em 2 minutos durante algumas horas. A Rita não tem a noção. Só quando aterrámos e sentiu o embate no chão é que ela perguntou se o avião já estava a andar. Achou provavelmente que ficámos ali parados no aeroporto dentro do avião aquelas horas todas.

Para cá, pacífico. Dormiram a viagem toda esparramadas uma por cima da outra e ainda por cima de nós. Claro que não preguei olho, até porque ficámos ao pé das casas-de-banho e tive a sensação que estava tudo incontinente. Foi uma romaria que não tem explicação. A noite inteira. E aquele autocolismo que parece que vai sugar o avião todo lá para dentro, é impossível de ignorar.

Para lá sempre foram de fraldas. A Joana ainda passou a vergonha de ser revistada no RX e da senhora olhar para ela e dizer tão grande e ainda de fralda??? Corou até às orelhas mas lá foi ela divertida com o enchumaço no rabiosque.

O tempo esteve fantástico, pouco choveu e a temperatura um sonho. O Nannai continua imbatível em termos de serviço. E tudo o resto, claro. Ficámos no bungallow de sempre que no fim nos deixa tantas saudades.

O único defeito do Brasil é não ter pôr-do-sol no mar. Porque de resto, show di bola!

21.9.09

Os livros.

Ontem às 23h ainda não tinha nada forrado. Fiz a minha fita e pedi ajuda ao Nuno que me disse que era especialista e que tinha sido ele a ensinar à mãe como se forravam livros. Ahahah.

Quando reparei que o livro que tinha forrado ficou cheio de migalhas nas dobras interiores, dei-lhe um chega para lá e agarrei o touro pelos cornos. Eis senão quando, me apercebi que tinha um jeitaço daqueles para a tarefa. Inchada de auto-confiança lá fui eu forrando cada um mais rápido que o outro. Em êxtase e com um esquema que funcionava, foi um instante até acabar. Pouca bolha e nada de migalhal, Nuno, vês?

Armadíssima em boa, irritante que só visto.

A Joana que já dormia e que me andou a chatear o fim-de-semana todo oh mãe tu não te esqueças, oh mãe tu vê lá que ainda tens tudo para forrar, oh mãe eu quero ver, é melhor não Joana, oh mãe já é de noite e ainda não forraste. Quando a fui aconchegar à noite, já ela dormia há duas horas, abriu um olho só e perguntou com a voz quase adormecida já forraste mãe?

18.9.09

Ontem

forrei o meu primeiro livro com papel autocolante. Nunca tinha passado por esta agradável experiência mas agora sou obrigada assim de rajada a forrar uns quantos livros de escola e mais uns cadernos. Tive a bela ideia de o fazer quase à hora de me deitar.

Não me orgulho lá muito do resultado final, mas pelo menos consegui não rasgar o livro e as bolhas até passam despercebidas. Da insónia é que não me livrei.


Resumindo: Um grande bem-haja à pessoa que inventou papel autocolante que descola e volta a colar sem levar as letras do livro atrás. Não a conheço mas já gosto dela.

17.9.09

Os TPC's. Uma comédia.

Hoje trouxe para casa o seu 1º trabalho de casa. Um entusiasmo daqueles. Dela e meu, confesso. Mas antes ainda brincámos e lá para as 18.30h achei boa hora para ela tratar do assunto para depois começar a ronda dos banhos-jantar-leite-etc-cama. Já sabia o que ela tinha que fazer e pareceu-me bastante simples. Apenas algumas pinturas no livro de Estudo do Meio. Pensei que em 15 minutos ficava despachada. Sim. Pois.

Começou logo a stressar porque não tinha a caixa de lápis igual à da escola. A que tinha em casa não tinha cor de pele e logo aí empancou porque tinha que pintar as caras das miúdas e a alternativa dava às bonecas ar de quem sofria de icterícia. Depois os lápis não estavam afiados. Toca de afiar os lápis. Todos. No meio de tantos afias daqueles que se vão acumulando ao longo dos anos, não havia um que não partisse o biquinho dos lápis um a um que acabaram todos com metade do tamanho.

Depois bora lá experimentar as 500 borrachas daquelas que também se vão guardando mas que vistas bem as coisas, só são giras, porque não apagam nada de jeito. Risca com lápis de carvão e apaga. Não, esta não é boa. Próxima. Naa. Próxima. Assim-assim. A da escola é que é boa mãe.

Depois finalmente a pintura. Todas as bonequinhas tinham que ser contornadas e depois é que são pintadas. Se por exemplo ela decide pintar a boneca com a tshirt azul clara, o contorno tem que ser azul escuro. And so on. E portanto ficava eternidades especada a olhar para a caixa dos lápis a escolher pares de cores para contornar e pintar. Mas quando eu digo eternidades, não estou a exagerar. Tinha que a chamar e trazer de volta à terra. No meio disto tudo decidiu arrumar a caixa por cores. Fantástico. Só me faltava agora um ataque de arrumação. Levantou-se "n" vezes. Pôs música. Foi à casa-de-banho. Mudou o disco. Chamou a Rita para o quarto dela e logo a seguir correu-a. Choramingou. Criticou a cadeira que era muito alta. Foi à janela. Despiu-se. Foi buscar bolachas. Amarrotou o livro. Uma hora já tinha passado e nós as duas à beira de um ataque de nervos. Não havia meio daquilo desenvolver. Dava trabalho e ela não estava para isso. Desesperada com os contornos e eu a rogar pragas à professora, que raio de ideia essa dos contornos, bonecos tão pequeninosm que irritação. Giro giro é pintar. Humpf.

Passado 1h30 decidi interromper para banhos e jantar e ela suspirou de alívio. Coitada, já me dava pena, mas ao mesmo tempo não queria acreditar que lhe estivesse a custar tanto. Ela que gosta tanto de trabalhar e de estar na secretária a pintar livrinhos de actividades.

Depois do jantar ainda se estatelou a alta velocidade contra uma esquina de uma porta e por um triz que não abriu o queixo. Ervilhas congeladas para baixar o inchaço e toca de voltar para a secretária. Mais meia hora e finalmente despachou o filme. Contornou tudo e pintou as meninas com roupas diferentes. Mas estava estoirada. Acabou de pé, rabo alçado, cadeira para trás e farta daquilo. O entusiasmo foi-se. O dela e o meu.

Abriu oficialmente a época dos tpc's. E o tempo que nos rouba, esta brincadeira.

Hoje

de manhã recebi no meu email esta surpresa da minha sogra. Nunca tinha visto esta foto e já nem me lembrava de quão cabeluda era a Rita quando nasceu. Aqui tinha poucos dias de vida e um cabelo que metia respeito. Tão pequenina. A mãozinha quente. O corpinho mole e relaxado. O remoinho no cabelo. Aquele cheirinho a natas.

As coisas na escola estão em fase dejá-vu. Depois dos dois primeiros dias terem corrido lindamente, voltámos ao filme do costume com a Rita a ter que ser arrancada do meu colo à força enquanto chora lágrimas gordas e me suplica que fique. Relembrei-me de como é angustiante ter que lhe voltar as costas e seguir em frente, ignorar o choro e sair depressa. Porque é isso que dizem, não prolongar, não prolongar. Despeço-me mas acho sempre que fica mais um beijinho por dar, mais um abraço protector, mais palavras tranquilizadoras por dizer. E detesto, detesto vir embora com esta sensação amarga. Chego a sentir dor física por ter que o fazer.

Não estava mentalizada para este 2º acto. Mas tento pensar na atenuantes, nos amigos que já conhece, nos adultos que a mimam e nos cantos da casa que já lhe são familiares. Agora é só uma questão de tempo. Que tudo cura.

14.9.09

De volta à escola.

Para a Joana, 1º dia do 1º ano do 1º ciclo.

Foi toda contente de farda nova e com a sua mochila de rodinhas, às moscas só com um estojo e uma caixa de lápis mas que daqui a uns tempos irá estar cheia de livros. Estrabuchou horrores por causa dos sapatos ortopédicos que de repente deixaram de servir. E eu, como nem imaginava que o pé já tivesse passado o 31, nem experimentei com antecedência. Por isso que remédio teve ela senão ir com os dedos encarquilhados com a promessa que hoje lhe comprava uns novos. Afinal estavam as miúdas todas de sandálias. (Calduço na mãe). Pensei que fosse norma terem de ir com meia até ao joelho e por isso pus de parte a sandália para não ficar com ar de turista alemão. Amanhã já vai de pé ao léu e os sapatos novos ficam para mais tarde.

Sem nervoso miudinho lá foi ela escada acima com a sua mochila grande para o começo da escola a sério. Zero de ansiedade, talvez por não termos falado exageradamente no assunto e por ter na sala os seus amigos de sempre. Saudades da sua educadora, isso sim, que mandou um recadinho amoroso a cada um a desejar boa sorte e muitas saudades.


A Rita. Depois de umas férias em que andou sempre tão contente, tanta praia, tanta piscina e deitares tardios, o regresso à escola causou-me alguma ansiedade. A mim, que sou a mãezinha que sofre por antecipação. Ela, nem aí. Passei o domingo angustiada com pena de a ter que largar lá novamente. Mas mesmo tendo dormido pouco mais de 8 horas porque os horários de férias não se mudam de um dia para o outro, lá acordou rouquinha de sono mas bem disposta.

Ainda atirou para lá um não quero ir à cola mas riu-se com ar de marota logo a seguir, como se soubesse que aquela cassete já não pega. Estive algum tempo com ela na sala enquanto explorava o novo território, fez colares de missangas sentadinha na mesa sempre a certificar-se que não me ia embora. No fim com alguma lagriminha já a querer saltar, saquei do meu trunfo de mãe desesperada para não prolongar demasiado a minha presença e prometi uma prendinha ao final do dia para festejar a coragem dela. E lá ficou, sentadinha de volta dos brinquedos novos e disse-me até logo. Sem lágrimas nem fitas.

Saí levezinha.


(Nos próximos dias posts-mete-nojo sobre as férias. Beware.)

7.8.09

Vamos de férias.



E eu conto acabar o livro que estou a ler e conseguir ler mais dois. Não engordar muito com tapiocas e bolos caseiros. Libertar-me delas sem culpas. Reeducar a Rita e acabar com as interrupções ao segundo. Acabar com as queixinhas constantes. Não apanhar gripe A. Conseguir que a Rita acorde depois das 8 da manhã. Não ter que usar os aerossóis. Ver a série 7 do 24 toda. Não me enervar se não quiserem comer. Tentar que brinquem mais as duas. Tirar muitas fotografias debaixo de água com a máquina que ganhei num concurso. Nadar muito. Não ser comida pelos mosquitos.

Descansar. Descansar. E já agora descansar.

4.8.09

No fim-de-semana



fomos para o "nosso" Alentejo, mas andámos a passear. No sábado fomos até ao Alqueva e descobrimos lagos, ribeiras e praias fluviais onde tomámos umas belas banhocas refrescantes.

No sábado, por acaso passámos no Redondo e demos de caras com a Festa das Ruas Floridas onde cada rua está decorada com um tema e papel colorido. Fiquei impressionada com o trabalho e a perfeição. Sei que em Campo Maior também há uma festa deste género de 4 em 4 anos. Esta é de 2 em 2 anos e vale mesmo a pena. É um trabalho fantástico. Se quiserem lá dar um saltinho, é só até dia 9 de Agosto.

31.7.09

A Rita

que ainda tem bochechas fofinhas de bebé e barriga espetada estilo Biafra (que para mim é o supremo sinal ainda da bebezice) entrou na fase dos cocós, rabos e pilinhas. Se estiver avariada com sono e com ataques de riso então mete cocó frase-sim frase-sim. Agora ela é a Rita Ranheta e a Joana Cocó e eu e o Nuno prefiro nem divulgar aqui.

Mas o feitio anda uma desgraceira. É o seu alter-ego como diz uma amiga, porque ela que é mansa, mansa, mansa e bem diposta a maior parte do tempo anda agora zangada, completamente do contra, teimosa como um burro, respondona, muito muito impaciente e com dotes para a peixeirada. No outro dia não queria ir tomar banho. Depois de muita paciência lá a consegui enfiar dentro de água e ali ficou na piscina a brincar. Passado um bocado, ouvi um murmúrio fui espreitá-la às escondidas e com voz repetitiva dizia: a mãe é má, a mãe é má (carregando no com sons guturais). Isto vezes e vezes seguidas. Fez-me lembra aquela cena do Shining:
redrum (as coisas de que eu me lembro).


Depois lá amansa e entra na espiral do disparatinho. Mais divertida mas não menos desesperante. Com a Joana a dar backup parece uma casa de malucos. Mas o mau feitio trouxe-lhe uma criatividade empolgante e é vê-la horas e horas a desenhar sem fim. Folha e folhas com desenhos novos, variados e perceptíveis. Manda-me embora quando está a criar a parece daqueles artistas loucos rodeados de material, folhas, canetas, tesouras e ela ali mergulhada na sua "arte"

Este último mês na escola em modo-férias esteve em constante convívio com miúdos dos 3 aos 9 anos, coisa que não aconteceu durante o ano lectivo em que os pequeninos estão num recreio só deles. E pode ser bem daí que vêm as respostas tortas e o mau génio em geral. Até brinco com ela e pergunto-lhe Quem és tu?! O que fizeste à minha Ritinha?! Tu és a Francisquinha, devolve-me a Rita por favor!! e ela fica danada Não xou nada, xou a Rita. Xou a Rita. Xou a Rita!! e remata com mais um som gutural.

Ou as férias a vergam ou vai ser divertido.

30.7.09

Antes e depois.


3 anos e meio depois de nascer coitadita lá tem direito a uma cama nova, decente, e grande para se esticar à vontade. Gira e com gavetão como eu queria. Delirou com os lençóis novos das Petshops e o colchão, ai aquele colchão queria eu para mim. Só ainda não começou a acordar depois das 8h mas a isso lá chegaremos. I hope.

(obrigada à comentadora que me deixou a dica da Oficina Rústica!)

29.7.09

Fã deste blog:

Simplifica-te.

Achei bem útil esta dica, porque eu tenho o péssimo hábito de enfiar tudo no frigorífico sem película aderente porque tenho lá tempo ou paciência para desenrolar aquela coisa transparente da qual nunca encontro o começo e que se pega a tudo e que fica toda torta quando a corto à má fila.

E esta que bem jeito me vai dar no desfralde nocturno da Rita, que ando a adiar há séculos. As fraldas ainda vêm carregadas. Se calhar até é por isso que ela acorda tão cedo. Mas falta-me energia agora para isto. Em Setembro tratamos do assunto.

E nem a propósito,

ontem dei com elas assim.

28.7.09

Gostava que a relação da Joana e da Rita fosse um bocadinho mais cúmplice e unida. Anda sempre cada uma para seu lado e lá uma vez por semana se lembram de brincar um bocadinho juntas. Isto fora o tempo em que se estão a dar mal ou à "estalada". Ou a chamar-me para queixinhas constantes.

A Joana não aproveita a companhia da Rita que adora brincar às escolas, aos pais e às mães e ao faz de conta. Tudo depende muito da Joana, que se estiver para aí virada e com alguma paciência, tudo corre bem. Se começa naquele stress que a Rita lhe estraga os castelos na praia ou que lhe pisa não sei o quê, ou que não obedece a tudo o que ela lhe diz, está o caldo entornado. A Rita também tem o seu lado teimoso e muitas vezes não está para isso, dá meia volta e vai-se embora. Depois têm os tais momentos-êxtase em que brincam à gargalhada uma com a outra, normalmente são coisas malucas do género desfazer o sofá todo da sala e andarem por ali aos saltos ou a atirarem-se uma para cima da outra.

Têm 3 anos de diferença e personalidades bem diferentes e é normal que os interesses não sejam partilhados muitas das vezes, mas há tanta coisa que podiam aproveitar uma da outra que muitas vezes me sinto frustrada de as ver tão quezilentas, tão queixinhas e tão pouco solidárias. Já não é a primeira vez que a Joana ao ver-me ralhar com a Rita, se põe do meu lado a cascar na irmã. Já aconteceu, há algum tempo atrás, ela fazer precisamente o contrário e dizer-me oh mãe, coitadinha da Rita, deixa-a lá. Mas ultimamente junta-se ao ralhete e ainda põe água na fervura. É logo recambiada para o outro canto da casa.

Na escola sinto que a Rita se pendura muito na irmã naquele momento da separação ainda doloroso. Ou assume logo que é para a choradeira e lá fica ao colo de alguma auxiliar ou então fica ali à beirinha do choro, mas a aguentar-se quase quase no limite. Nesses dias, como hoje, pede a mão à Joana e quer ficar colada ela. A Joana revira os olhos e como 4 anos depois de ter entrado para a escola e adorar a escola, ainda tem o seu momento congelante quando lá chega em que demora uns minutos a mudar para "modo-escola", fica doida de ter que ficar a dar-lhe a mão. Muitas vezes recusa e anda a Rita atrás dela a pedinchar a mão e ela a fugir a dizer oh mãe! Nestas alturas exijo que ela seja melhor irmã, mais amiga e porto seguro da Rita. Mas a maior parte das vezes não consigo. Fico triste e desiludida com ela. Estarei eu a exigir demasiado?

Pergunto-me se isto virá da maneira como foram criadas até agora ou se é mesmo assim. O que poderíamos ter feito para elas serem mais unidas? Se isto muda com o tempo, se é uma fase como nós gostamos de apelidar a algo com o qual não concordamos e queremos que passe... Ou se é uma coisa natural com a qual nem me devia preocupar.

24.7.09

Esta noite

dormiram um bocado mal as miúdas. Acordaram várias vezes, pesadelos, insónias a meio da noite e resmunguices várias. E eu pergunto-me se não terá sido por ter tido a fantástica ideia de, antes de as deitar, pôr a casa toda às escuras e andar a meter-lhes medo e a pregar-lhes sustos. Uuuuuuáááááááááá! Na altura deliraram e gritaram como se estivessem no combóio-fantasma. Mas depois...

Enfim, foi a ideia do ano.

Tenho que ver mais Rucas e aprender umas coisas com a mãe dele.

Um das coisas

que me lembrei para despistar a gripe A nos aviões e aeroportos na nossa viagem ao Brasil em Agosto, é pôr as miúidas de fralda e evitar idas às casas-de-banho. Antros de bicharada.

Ontem fizeram as duas uma passagem de modelo de fralda e foi de escangalhar ver a Joana, grande como é, com uma fralda no rabiosque. Andou aí aos saltos pela casa só de fralda num risota pegada. A Rita muito orgulhosa da mana estar a usar uma coisa só sua
(que ainda as usa para dormir) e quis ser ela a pô-la. A Joana deitada e a Rita a pegar-lhe nas pernas e a enfiar-lhe ali por baixo uma fralda. Hilário. Fiquei contente que aquele tamanho lhe sirva minimamente. Assim escuso de comprar uma Tena-Lady para a miúda. : ) Fez um xixi para experimentar a absorção e ficámos convencidas.

Outra das coisas que vamos fazer é ir para o aeroporto as quatro horas antes, fazemos o check-in, voltamos para casa e só regressamos pouco tempo antes do voo. Escusamos de andar por lá a laurear a pevide em ambientes fechados e com muita concentração de gente vinda de todo o lado. E depois levamos o belo do alcool em gel para nos irmos desinfectando. Por lá andamos basicamente sempre em espaços abertos e como estamos no Nordeste estamos bem melhor do que se estivéssemos no sul do País onde tem havido a maior parte dos casos.
Há-de correr tudo bem, tenho a certeza.

O ano passado era o dengue, este ano a gripe. Irra que já não se fazem férias descansadas.

23.7.09

A saga


da coroa e brincos continua e agora até nos desenha às três bem apetrechadas também com uns brincos gigantes e coroadas. Só o Pai é que se safou. No outro dia no consultório da pediatra estava uma menina a dizer à mãe que também queria uma coroa daquelas e a mãe enquanto me olhava de lado, disse-lhe que sim, que lhe comprava uma, mas que essas coisas só se podiam usar quando fosse Carnaval. Ahahahah, coitada da miúda, que só pode ser pirosa no Carnaval. Mas tenho que começar a criar regras para a coroa, porque qualquer dia somos multadas na rua por atentado ao bom gosto.

Andamos afanaditas, a Joana com uma amigdalite que lhe deixou as amígdalas gigantescas como duas batatas. A Rita lá se vai aguentando, a sua amiga farfalheira já voltou e vai-se safando ainda assim com ajuda dos aerossóis e do xarope de equinácea para lhe estimular as defesas. Eu ando constipada há quase 2 semanas e não há meio de ficar boa. Ando sempre a gabar-me que nunca adoeço e agora toma lá que já almoçaste. Não é gripe porque não tenho febre, mas há dias em que parece que apanhei uma tareia. Mas antes antes das férias do que durante. Em Agosto temos que estar finas. E o tempo ou arrebita ou quero o livro de reclamações.

20.7.09

Esta foi a figura


da Rita durante o fim-de-semana em Santa Cruz. Desde o levantar até ao deitar. Asas aos ombros, coroa na cabeça, brincos nas orelhas e sapatos de bailarina nos pés. Parecia uma ciganita apanhada ali na feira com os berloques todos a que tinha direito. Só faltam as luzes psicadélicas na coroa. Tiravam-lhe as asas, tiravam-lhe a alma. Ai de mim que me atrevesse a fazê-lo.

Tão coquete que esta me saiu. Uma fornada pirosa. Mas é giro ter uma filha pirosa. A outra é toda bicicleta, ténis nos pés e bolas de futebol. É engraçado ter os dois lados. Tão opostas em tantas coisas. Começando pela cor preferida de cada uma. Rosa e Azul. Adivinham qual é de qual? Tão fácil, não é?

15.7.09

No Alentejo


agora temos umas galinhas poedeiras que fazem as delícias principalmente da Joana que passa o dia a querer ir galinhar. Deixa-as sair para passearem um bocado e comerem umas pedrinhas e depois pega-lhes ao colo uma a uma, dá-lhes festas e volta a pô-las dentro de casa. Ao princípio tinha medo que mordessem mas a partir do momento que percebeu que elas são muito mansas, ganhou confiança, pega nelas e põe-nas no poleiro, ou dentro da caminha onde põem os ovos e dá-lhes de comer. A Rita gosta mais de ir buscar os ovinhos e depois anda com eles que tempos nas mãos e deixa-os por aí, onde calha.

A unha da Rita já andava a ameaçar e caiu finalmente este fim-de-semana. Não me disse nada e fiquei a saber enquanto fazia a cama dela e descobri um objecto não identificado perdido entre os lençóis. Uma coisa morta, velha e roxa.

Lá andava ela como se nada fosse e até encontrou um frasco de verniz, pintou as unhas a si própria e a defeituosa também foi envernizada. Está tipo uma unha de dedo mindinho num polegar. Uma coisa linda. Às vezes mexe-lhe como se nada fosse e a mim arrepia-me até à medula. Outras vezes como ontem, tinha um belo dum macaquito colado no dedo e na unha e nem me deixava aproximar para o lavar. É conforme a onda. Mas é mil vezes mais corajosa que eu, isso é.

Lá no Alentejo agora dormem num beliche. Foi a loucura. Eu toda contente porque finalmente posso virar-me na cama sem acordar a Rita e posso ir à casa-de-banho sem tropeçar numa a dormir no chão numa ready-bed e na cama da outra mesmo no caminho. A Joana toda contente por dormir nas alturas e a Rita toda contente porque finalmente tem uma cama para se poder esticar à vontade. Dormiu que nem uma doida até às 10h da manhã! Aqui ainda dorme numa cama de grades que já está tão velha que tem uns livros a segurá-la para não se desconjuntar e sempre que ela se vira bate com um braço ou uma perna nas grades e acorda e por isso não passa das 8h e pouco da manhã. Mas ando com dificuldade em encontrar uma cama de corpo e meio com gavetões (para guardar a tralha). No Ikea há umas, mas além de serem caras, são fraquinhas e abanam por todos os lados. Já corri a moviflor e a conforama e são todas de fugir. Já pensei em mandar fazer por medida mas queria ver mais lojas. Aceitam-se sugestões. : )

8.7.09

Gosto de vestir as manas


de igual ou então com ligeiras diferenças nas cores ou nos pormenores. Na Zippy encontrei estas t-shirts que se enquadram lindamente nas personalidades de cada uma. A branca é a cara da Rita, que é alegre por natureza, muito sorridente, luminosa e enérgica. Chamo-a muitas vezes Little Miss Sunshine e achei imensa graça quando vi a t-shirt.

Ao lado estavam outras, mas esta amarela encaixa-se que nem uma luva na Joana. Miss Chatterbox (Menina Faladora). Na escola sempre faladora. Em casa idem idem aspas aspas. Blá blá blá blá blá.

Para mim, que também sou gente, devia haver uma de Miss Bossy. Ou Miss Sleepy ou Miss needing new sandals ou Miss always hungry ou Miss Ferrero Rocher ou Miss farta de vento.

Ou então Miss needing vacations.

3.7.09

Ainda dos finalistas.


Queríamos dar qualquer coisa de original à educadora e à auxiliar que tão bem cuidaram dos nossos filhos nestes últimos 4 anos. Há alguns meses atrás surgiu a ideia de fazermos um livro de caricaturas como há muitos anos havia o hábito de se fazer quando se acabava o curso. O curso à séria e não a pré-primária! Até pensámos em fitas mas essa ideia acabou por ficar pelo caminho e a das caricaturas avançou. Aqui mostro só a da Joana mas o livro ficou espectacular. À Joana desagradou-lhe profundamente os pensos espalhados pelas pernas e braços mas adorou o cachecol do Benfica.

Depois quis ainda que a Joana lhes oferecesse um miminho e a Matilde conseguiu, como sempre, fazer algo especial.


2.7.09

Ontem

9 anos de casamento. Mais os 500 de namoro, já estamos juntos há uma vida! Parabéns a mim e a ti.

30.6.09

A minha pequena-grande finalista.

Até há pouco tempo não fazia ideia que existia este conceito de finalistas da pré-primária. Acho engraçado e eles sentem-se importantes e divertem-se imenso a preparar a sua grande surpresa. A festa da Joana foi no sábado. Uma turma de finalistas da pré e uma turma de verdadeiros finalistas do 4º ano, com um pé já fora da escola.

Sem grandes produções de peças de teatro como se vê muito por outras escolas, mas muito melhor para nós pais, porque foi uma festa muito pessoal com o enfoque como tem que ser: em cada um deles e na história que tinham para contar. Foi tudo muito envolvente e tocou-nos directamente no coração. Com o filme "Música no Coração" como tema, cantaram muitas músicas com letras adaptadas, a educadora contou um bocadinho da história deles desde os 2 anos, eles falaram dos seus medos em relação ao 1º ano e ainda foram ao microfone apresentar-se com um adjectivo. "Olá, eu sou a Joana e sou muito barulhenta!"

Foram momentos muito comoventes e simbólicos como a chamada deles um a um para receberem o diploma no palco, darem um beijinho e abraço de despedida à sua educadora e correrem para a sua nova professora. Aos saltinhos lá iam eles, enquanto nós mães nos desfazíamos em lágrimas na assistência. Pensar que acabou esta etapa da vida deles, com uma educadora tão especial que tudo fez para criar uma ponte sólida entre a escola e os pais. Rompeu com muitos dogmas, dinamizou, lutou contra o cinzentismo enraizado, introduziu festas que até aí nunca tinham existido, criou 1001 projectos com os pais e dedicou-se de corpo e alma aos nossos filhos. E por isso nesta passagem, fica um vazio. Educadora e mães encontram-se num estado de neura geral. Quando for a festa de finalistas do 4º ano acho que temos todas uma síncope.

A sala deles sempre foi vista no Colégio como uma turma especial, muito muito unida e isso deve-se também ao contexto extra-escola em que nós mães e pais tivemos um papel fundamental.
Somos um grupo de mães também muito unido, muito dinâmico e participativo e criaram-se verdadeiras amizades. Tenho orgulho em pertencer a este grupo e fico feliz da Joana ter a sorte de ter calhado nesta turma deliciosa.

Por isso tudo continua, só uma parte terminou.

24.6.09

Última-hora:

Rx da Rita limpíssimo. A médica ficou verdadeiramente em êxtase. Não sei o que ela estava à espera, mas estava mais preocupada do que eu. Eu cá estava muito confiante. Talvez por não ver a Rita assim tão bem há muitos muitos meses. Agora só pedia ao São Pedro para subir novamente o mercúrio, porque é meio caminho andado para as farfalheiras se manterem a léguas.

Agora uma dúvida: os vossos filhos costumam tomar Bronco-vaxon? E se tomam, fazem-no em "Junho, Julho e Agosto "ou "Setembro, Outubro e Novembro"? É que o pediatra dela mandou tomar agora porque diz que chegando a Setembro, ela leva com os bichos da escola e se está a fazer a vacina também, são bichos a mais. A pneumologista por seu lado diz que tem que fazer em Setembro, Outubro e Novembro porque fazendo agora, chega a Outubro já sem protecção. Isto tem sido o pão nosso de cada dia estes últimos tempos. Cada cabeça, sua sentença. Como costumam fazer?

Na semana passada

a Joana quis porque quis experimentar uma aula de ténis. Esteve num alvoroço até ao dia em que a levei ao meu professor para brincar um bocadinho. Durante a aula quase não abriu a boca, reservada até mais não. Mas andava por ali toda saltitante a fazer os pequenos exercícios com e sem raquete. Gostou muito dos jogos sem raquete mas na rede perdeu todo o entusiasmo quando percebeu que não conseguia acertar na bola. Achei que tinha gostado, mas no fim disse-me que não queria voltar.

E esta é a minha Joaninha. Detesta falhar e sentir que não consegue. Desiste muito facilmente e tem horror a perder. Já lhe explicámos que tudo se aprende devagarinho, que mesmo para ler tem que aprender letra a letra e que no ténis ou em qualquer desporto é assim também. Quem vê de fora deverá achar que somos hiper-exigentes com ela e que por isso tem esta intolerância à falha. Nada disso, acho mesmo que somos o contrário no que diz respeito às habilidades dela. E o elogio não é fácil de dosear. Se se elogia demasiado, tendem a ficar convencidos. Se se elogia pouco, têm pouca auto-confiança. No meio está a virtude, já se sabe, mas é complicado perceber a fronteira entre elogios a mais ou a menos. Mas apesar de tudo, acho que peco mais por excesso do que por defeito e por isso é-me difícil entender esta exigência extrema consigo própria.

Ficou combinado que quando quisesse voltar, que me dizia. Agora estamos na fase natação. Quer experimentar porque tem lá duas amigas da escola.

De resto andei a receber com frequência más notícias em relação ao seu comportamento na escola. Faladora até mais não, desobediente, desconcentrada e muito agitada. Em casa também andava difícil, quezilenta com a Rita, birras constantes de se atirar para o chão a pontapear o ar, bichinho carpinteiro à mesa e desobediência crónica. Andou semanas e semanas a levar prensas diárias. O comportamento na escola continua agitado, motivado também pela algazarra de fim do ano, muitos ensaios para a festa de fim do ano, a festa de finalistas, passeio para aqui, passeio para ali e comportamento geral da sala. Mas em casa mudou do dia para a noite. Está muito mais calma, muito mais diplomata com a Rita principalmente. As queixinhas diminuiram para menos de metade e já não lhe sai uma bordoada cada vez que a Rita a chateia até ao miolo ou que lhe estraga uma brincadeira. Ajuda-me a arrumar as compras, já põe a roupa suja no bidé, já não acorda às 3h30 da manhã a pedir para lhe coçar o olho e já não faz birras para lavar os dentes ou para se ir deitar.

Está completamente zen a minha filha. Uma pessoa até desconfia.

23.6.09

Depois de tantos médicos


e de tantas maldades, achei que a Rita estava a precisar de uma recompensa a sério pela pachorra com que enfrentou todos os exames e consultas intermináveis em que se portou lindamente. Perguntei-lhe o que ela queria e respondeu-me que queria uma chucha. De bebé para chuchar só um bocadinho. Disse-lhe que não se vendiam chuchas para meninas tão crescidas, e tive que engolir as minhas palavras quando no outro dia fomos juntas a uma farmácia e mesmo ao nível dela estava um suporte cheio de chuchinhas lindas e maravilhosas.

Como a chucha estava fora de questão insisti em saber o que queria para a recompensar de ser tão linda e corajosa. Pediu-me umas asas de borboleta e uns sapatos de ballet. Dito e feito.

Todos os dias se bamboleia cá em casa com as asas e os sapatos até se ir deitar. É como se já fizessem parte dela. É tão diferente da Joana, tão coquete. Hoje faz o último rx e esperemos que a possamos deixar em paz durante uns tempos.

22.6.09

Milfontes.

Rumámos à Costa Alentejana para um fim-de-semana na companhia da minha irmã, dos meus cunhados e respectivos bebés. O tempo estava quente mas menos infernal do que em Lisboa. Ficámos tão bem instalados numas casinhas no Naturarte Rio, com um pequeno-almoço entregue em casa com bolinho caseiro, pão quentinho e croissants deliciosos entre outras coisas. A piscina estava praticamente por nossa conta com alguns casalinhos pontuais a terem a sua tranquilidade estragada pelos gritinhos das 4 meninas. As minhas mais crescidas, as outras pequeninas mas felizes da vida com a atenção das primas.

No domingo fomos conhecer a Praia do Malhão, ali mesmo perto de Milfontes. Uma das praias mais selvagens da costa alentejana muito pelo acesso difícil à praia. A praia é linda, o dia estava delicioso e o mar estava límpido e a uma temperatura fantástica. Grandes banhocas, isso é que foi. Não tenho mais fotos, porque fiquei sem bateria.

Só voltámos depois do jantar e as meninas completamente k.o. quase nem despertaram depois da viagem. Só a Joana, que com as saudades dos tios a apertar, me pediu fotos dos quatro para pôr debaixo da almofada. Eu que tinha abusado nos ovos mexidos com farinheira ao jantar, que é como quem diz "um prato de colesterol faz favor!", estava enjoada de morte. Não me saía isso da cabeça e a unha da Rita que continua negra e que já está ligeiramente solta na base. Só via a unha bamboleante e a farinheira.

Mas lá acabei por adormecer com a alma cheia de coisas boas.

19.6.09

Eu gosto de Petshops.


A-ha! Pronto, admito. São mesmo giros os bichos. Já são milhares mas aqui em casa vai-se comprando devagarinho. Acho que quando os compro, compro-os mais para mim do que para elas e escolho os que gosto mais e quero lá saber se elas preferissem antes os outros. É o meu lado infantil sempre presente. Que sorte ter raparigas e poder brincar com pollys, petshops e poneyvilles.

Quando deixarem de gostar destas coisas e preferirem coisas parvas de adolescentes ou pré-qualquer coisa, arranjo outro bebé.

Estou a brincar. Não se entusiasmem.

Este panda deslumbrou-me. Acho que é o mais bonito que vi até hoje.

17.6.09

Depois de 2 semanas

com a Rita em casa, admito que senti algum alívio quando a médica lhe deu luz verde para regressar à escola. Mas ontem chorou tanto de manhã logo quando a começei a vestir, que me doeu o coração e a ela ainda mais. Hoje já ficou bem.

Está curada, os pulmões ficaram muito mais limpos com o efeito do antibiótico e com a cinesioterapia. Aliás, já não estava assim tão limpa desde Agosto do ano passado! Na 3ª fez a prova de Mantoux e lê o resultado amanhã. Eu que lhe tinha garantido que não havia "picas" tive que encarar o seu olhar suplicante e surpreendido quando lhe espetaram a agulha no braço. E esta picada ainda é bem dolorosa porque quando o líquido entra, diz a médica que parecem vidrinhos a penetrar na pele.

Para a semana faz novamente um Rx e esperemos que confirme o bom estado geral dela. Estou confiante que sim. Só gostava que isto se começasse a compôr e que a farfalheira constante desaparecesse de uma vez por todas. Ou que pelo menos me soubessem explicar porque é que ela anda sempre assim.


Passámos um fim-de-semana óptimo no Alentejo, com muito calor que é o que nós precisamos. Um guarda-sol à beira da piscina que 39 graus torram qualquer um e muitas horas dentro de água. E ainda um churrasco improvisado na noite de Santo António.

Lá muito perto descobrimos um campo de girassóis de perder de vista e de cortar a respiração. As fotos não fazem justiça porque no 1º dia que estava sol, a máquina ficou em casa e no 2ª dia a máquina já estava a dar o berro e agora não há máquina para ninguém.


10.6.09

Esta última semana e meia

tem sido vivida com algum sobressalto por causa de um Rx e Tac que a Rita fez aos pulmões e que lhe detectou uma pneumonia e um pulmão esquerdo que praticamente já não trabalhava. O mais estranho disto tudo é que apesar da sempre constante farfalheira e alguma tosse matinal, até achávamos que a Rita estava melhor do que há 2 ou 3 semanas atrás. Com ausência de febre, de prostração e outros sintomas de pneumonia, estávamos a leste que a coisa estivesse assim.

Mas as análises alteradas e posterior repetição do rx e arrastamento dos sintomas confirmaram que os pulmões da Rita já não estavam a funcionar por aí além, principalmente o esquerdo que estava sem ventilação e parcialmente colapsado.


Um antibiótico mais forte, cinesioterapia diária e ordem de soltura só para ir aos médicos. Agora se vier o calor que apregoaram pode andar ao ar livre mas para a semana se continuar assim terá que fazer mais alguns exames entre eles uma broncoscopia. Quem olha para a Rita, não nota nada, tirando o ruído da cafeteira, ela anda enérgica, bem disposta e até com apetite. Uma pneumonia silenciosa que me deixa com a pulga atrás da orelha.

Vamos ver como corre daqui para a frente. Vou dando notícias.

2.6.09

A Rita entalou o dedo na porta.

e o grito foi de tal forma intenso que saí disparada do banho completamente coberta de espuma. Não tenho sangue frio nenhum nestas coisas mas estava sozinha que remédio tinha eu senão segurar o barco. Mas nem olhei muito para o dedo, só reparei que a unha já estava toda roxa e o dedo do dobro do tamanho. Ela chorava sem parar e eu só lhe consegui dar muito colinho.

Entalou-se no sábado e entretanto o dedo desinchou mas hoje a unha sangrou. Despachei-a logo para o Nuno que unhas negras com probabilidades de cairem e ainda por cima com sangue a escorrer, é badagaio na certa. Se ela cai então nunca mais me recomponho. Dedo sem unha não aguento.


Ontem adormeceu no hall. Depois das saídas do costume da cama, achei que finalmente tinha adormecido. Estava na sala tranquilamente a ver televisão quando o Nuno entra em casa e me diz "olha a Rita!" Olha a Rita? Só se viam as perninhas dela. Deitou-se entre uma cómoda e uma parede e coladinha a uma extensão cheia de fichas ligadas. Trouxe a fralda de pano, uma data de bonecos e arrochou por ali. É mesmo maluca. Tem horror à cama, insónias de meia noite mas não há nada como um chãozinho duro e frio para adormecer. Se calhar vou adoptar a cama à chinesa. Um estrado de madeira e está a andar. Pode ser que comece a dormir como deve ser.

No fim-de-semana estivémos na praia e a novidade deste ano é que se pela de medo do mar. Mas não é do mar-ondasgrandes-rebentação-frio-correntes. Ela tem medo da água pelo tornozelo. Imaginem a Costa com maré baixa. Aquele areal enorme, cheio de piscinas naturais e espaço para brincar. Ela até anda por ali, mas basta uma onda rasteirinha ameaçar avançar pela areia a 2 km dela e já se vê a Rita a fugir em corrida descontrolada praia fora. Não olha mais para trás e nem quer saber que nunca mais nos veja. Foge de tal maneira depressa que é difícil de a apanhar, parece o pepe rápido com o rabinho a dar a dar.

A Joana já é uma companheira e pêras para grandes banhocas. A mim a velhice trouxe-me "frialdade". Já não me aguento dentro do mar como antes. É o colesterol, é o corpo a mudar, os cabelos brancos e agora esta hiper-sensibilidade à água fria. Mas a Joana quer lá saber e arrasta-me para grandes mergulhos. E eu atiro a velhice para trás das costas porque quando tomo banho é banho à séria, não é cá mergulhito e vou-me embora como uma pessoa que eu cá sei. : )

A Joana anda desde há 3 semanas a acordar religiosamente todas as noites às 3h30 da manhã. Ela que tinha um dormir profundo e maravilhoso. E depois chama-nos e ou é dor na perna ou porque tem medo das sombras ou dos barulhos ou porque teve um sonho mau. No outro dia foi catadíssima, porque não sabia ela que eu tinha ido ao quarto da Rita. Ouvi a Joana a ir à casa-de-banho e quando eu ia a sair do quarto da Rita ela tinha acabado de se deitar e gritou "Mãiiiiiiiiiiiii, sonho maaaau!" Oh Joana! Acabaste de te levantar, estavas acordada, é impossível teres acabado de ter um sonho mau.

Nem piou.


Hoje à noite foi pior, chamou o Nuno à mesma hora de sempre, tão querida, para lhe dizer que tinha comichão no olho. O que é que dá vontade? Pois.

Isto é giro, anuncia-se que não se vai escrever muito e tal e depois escreve-se um post interminável destes. E eu que nem sou do contra.

Ou se calhar até sou.

Tenho escrito muito pouco

é verdade. Além do muito trabalho que tenho em mãos (felizmente!) e que me retira o tempo que tinha para estas coisas, a vontade de escrever também não tem sido muita. Aliás, ando um bocado saturada desta coisas dos blogues. Isto torna-se viciante e às tantas temos 20 blogues para ler diariamente. Se estamos sem ler durante uns dias, então o número de posts acumula-se drasticamente e o prazer de ler passa a tensão para despachar os blogues em atraso e ter todas as leituras em dia. E estou um bocado farta, confesso. Do tempo que se "perde" nisto.

O tempo não chega para tudo. E temos que fazer escolhas. O meu blog vai continuar, mas com posts mais espaçados no tempo, sem aquela obrigação, que me cria alguma tensão, de escrever qualquer coisa todos os dias.

Espero que mesmo assim, continuem por cá.

29.5.09

Ando com pouca vontade de escrever

porque ando com um nó no estômago com tudo o que tenho visto sobre a menina que foi para a Rússia. Até me custa vir aqui contar novidades, ou desabafar sobre a Joana que anda mal-comportada na escola ou sobre a Rita que continua com tosse e que vai ter que repetir um Rx aos pulmões. Porque a Alexandra não me sai da cabeça.

Já vi muitas imagens revoltantes, mas ontem quando vi o terror nos olhos dela quando ainda estava dentro do carro prestes a ser entregue à Segurança Social, fiquei transtornada. Era um sofrimento tão profundo que até doía cá dentro. E o olhar dela vazio quando é impelida a dar um beijo a uma Avó que não conhece. Uma "mãe" que bebe cerveja ao pequeno-almoço e que só pode estar alcoolizada para lhe dar aqueles tabefes em frente à televisão. A cama dela por cima do forno. A ausência de afectos.

É tão mau tão mau. O que sentirá ela, à noite quando vai dormir e sente a dor da saudade? Como é que se faz uma coisa destas a uma criança? Se ainda conseguíssemos sentir que esta nova mãe estava decidida em lhe dar um lar, (como tudo o que isso implica, e não apenas as quatro paredes), que seria capaz de a compensar afectivamente de forma a diluir a dor que a menina sente por ver a sua vida a desabar, mas vemos exactamente o contrário.

O pior é a sensação de impotência e saber que esta decisão é irreversível. E que vai ser mais uma criança disfuncional neste mundo, rodeada de crueldade e falta de amor.

28.5.09

Imprescindível


para quem tem miúdos que anseiam pela festa de anos do próximo ano, logo no dia a seguir à sua festa de anos deste ano. Tem muitos espaços dos quais nunca tinha ouvido falar e que me parecem bem engraçados para todo o tipo de festas e para todo o tipo de bolsos. Inverno ou Verão, há ideias para todos os gostos. E como eles próprios escrevem "este guia não é uma lista.(...) Este guia diz tudo o que lhe interessa. (...) Tudo para que não tenha de voltar a temer o dia de aniversário do seu filho, como já aconteceu. (...)". A não perder.

26.5.09

Hoje entrei para as estatísticas

da malta com colesterol alto. E estou chateada. Porque me vou ter que privar de todas aquelas coisas que gosto de comer. Principalmente às 23h que é quando o meu corpo pede uma ceia jeitosa. Ver a Oprah ou uma série engraçada sem uma tijela de chantili ou um petit gateau do Pingo Doce (que só precisa de um aquecimento de 48 segundos no micro-ondas e fica pronto a devorar), não faz sentido. O corpo pede e eu dou. Se não dou, metade do gozo do descanso vai pelo cano a baixo porque em vez de estar a ver televisão ou a ler qualquer coisa descansada, estou a pensar numa torradinha cheia de manteiga ou marmelada.

Hoje fui ao supermercado e aventurei-me no mundo dos produtos que prometem baixar o colesterol. Assustei-me com os preços e acabei por trazer só um pacotinho de Becel. Ao almoço lá me preparei para me lambuzar com umas fatias de pão com creme vegetal mas entrei em estado de choque. Além de não ter sal, não tem sabor. Minha querida manteiga... Mas vou insistir, pode ser que me habitue. Porque o ser humano felizmente ou infelizmente tem esta capacidade de se conformar.

Além disso, dizem que o desporto também faz bem. Acho que é desta que vou começar a dar uso ao trambolho cá de casa.

Até ao Verão tenho que despachar este problema, porque o Brasil espera-me. E Brasil sem 4 tapiocas por dia, não é Brasil. Mesmo que depois tenha que regressar à Becel.

22.5.09

No fim-de-semana passado

Marvão (lindo!), Castelo de Vide, Elvas e arredores. Parámos perto da Barragem da Póvoa com um espaço fantástico para eles brincarem, correrem, andarem de bicicleta com a Ribeira de Nisa como paisagem e com muitas cegonhas a planarem por ali. Melhor spot do fim-de-semana.

Em Arronches vimos pinturas rupestres, bonecos pintados em rochas com tinta cor de ferrugem que já ali estão há muito muito tempo. Muitas ruas e ruelas, casinhas caiadas, muito sol, óptimos banquetes a preços muito acessíveis, já que as doses no Alentejo são sempre generosas. Ainda passámos perto de Évora para fazer o percurso megalítico da zona: o
Cromeleque dos Almendres, as Antas e um Menir.

Um passeio que se faz lindamente saindo de Lisboa só no sábado de manhã e voltando domingo ao fim do dia. Para festejar os meus aninhos, claro está que não podia deixar de ir laurear a pevide.

21.5.09

A minha Mãe

surpreende-me sempre com os arranjos de flores mais lindos do mundo!

19.5.09

A casa foi invadida pelo marido.

É o que dá usar a mesma password há 300 anos e andar a pedir cartinhas de amor daquelas que ele me escrevia antigamente (tão velhos que nós estamos ahahah). Só vi a surpresa ontem à noite quando regressei da casa dos meus pais, depois da festarola e vi na minha caixa de emails alguns comentários emocionados a algo que eu não tinha escrito.

Gostei tanto. Conhece-me tão bem.
E descreve-me ainda melhor. Quem tem um marido assim, tem tudo.

18.5.09

33 (Surpresa do Nuno)

Trinta e três. Conhecemo-nos com metade da idade que tens agora. Sempre viva, alegre e luminosa. Como um sol...mas mais intensa. Como um arco-íris...mas mais colorida. Para ti tudo só faz sentido se verdadeiramente vivido. Sem meios-termos. Ou é bom ou é mau. Ou faz rir ou é chato. Não consegues viver doutra forma que não seja naquele limbo entre o exagero e o desespero. Por isso és tão exigente para com a Vida e por isso enches a nossa de cor e entusiasmo. A minha e a das nossas filhas. Que não podiam ter melhor mãe... pela tua entrega e pela cor que dás à vida delas. E como dás... tudo nelas é teu (à excepção dos olhos e narizes)! Os ganchinhos, as pinturas, as comidas, os gritos, a televisão, as roupinhas, os pormenores, as birras, a meiguice...enfim, tudo o que lhes dás...E para isso só precisas de duas coisas. Dormir...que é o alimento da tua vida. E comer...que é o que sossega o teu corpinho. Que não te tirem nem um nem outro...! Ou então que te tirem, mas que não se aproximem. Já lá vão muitos anos juntos e é incrível ver o tempo a passar... Mais velhos, mais chatos, mais pais, mais...unos. O resto é conversa...

Diga lá: trinta e três.

Hoje foi o Nuno que as levou à escola e pude tomar um banho com calma, pôr os cremes todos que não ponho o resto do ano e vestir-me sem ter a Rita a pôr desodorizante nas orelhas e nos dedos dos pés. Mas depois exagerei no tratamento especial. Vi a balança ali ao pé e pesei-me. Um gritinho de horror e guardei-a bem escondida, nem a quero ver.

Nunca estive tão pesada, sem estar grávida. Nem digo gorda, porque cai-me tudo em cima, mas realmente o corpo já não é o que era. Apesar de não fazer nenhumas restrições aos meus banquetes fora de horas, noto que a comida já não se aloja nos cotovelos ou nas plantas dos pés e fica ali mesmo pela barriga. E eu como mesmo muito. E não sei o que é isso de não comer tudo o que me apetece. Não sei viver de outra maneira.

Mas enfim, hoje faço anos, vou almoçar fora e não quero saber, vou comer o pão todo do couvert como é meu hábito e mandar vir mais logo a seguir. Vou jantar repimpada e trazer para casa o bolo de anos que sobrar. E nem vou falar dos cabelos brancos que vieram fazer companhia ao outro desalinhado que descobri o ano passado por esta altura. Pode ser que com 33 anos me emancipe e comece a fazer as tais nuances que a minha cabeleireira me impinge há anos.

Mas as minhas filhas acham que ainda sou nova para dar cambalhotas naquelas barras de metal, em cima da cama e debaixo de água. E portanto, hoje nada me preocupa. Amanhã logo começo a dieta.